quinta-feira, 16 de maio de 2013
Bioluminescência abre novos caminhos na pesquisa científica
A bioluminescência, ou o processo biológico pelo qual animais, como o vaga-lume e a água-viva, emitem luz a partir de suas células, já provocou revoluções importantes na ciência, especialmente na área da saúde.
As proteínas da bioluminescência foram usadas como ferramentas na descoberta de novos medicamentos e têm sido aplicadas amplamente na pesquisa biomédica, na qual são usadas para estudar os processos biológicos das células vivas.
Mas, agora, muitos cientistas estão tentando aplicar os conceitos dessa "luz natural" em atividades como a melhoria do cultivo de alimentos, a detecção da poluição ou até mesmo a iluminação pública.
Uma das ideias, por exemplo, é desenvolver árvores que emitam luz e, dessa forma, possam ser usadas para iluminar as ruas de uma cidade.
Darwin
Charles Darwin, o pai da Teoria da Evolução, foi um dos primeiros cientistas modernos a documentar o processo.
Na noite de janeiro de 1832, próximo à costa de Tenerife, na Espanha, o jovem Darwin vagava pelo convés do navio HMS Beagle.
Enquanto olhava distraído para o mar, ele foi surpreendido por um brilho sobrenatural vindo de dentro do oceano.
"O mar estava iluminado por inúmeros pontinhos que, no rastro do navio, deixavam uma cor levemente leitosa, quase uniforme", escreveu Darwin.
"Quando a água era colocada em uma garrafa, soltava umas faíscas por alguns minutos, antes de se encolher", acrescentou.
Darwin estava quase certo ao descrever a luz emitida pelos minúsculos organismos marinhos chamados dinoflagelados.
A análise do pai da Teoria da Evolução sobre o fenômeno foi trazida à tona anos depois pelo professor Anthony Campbell, que analisou as notas manuscritas de Darwin guardadas na Universidade de Cambridge, na Inglaterra.
Depois de Darwin, demorou mais de um século até que um experimento prático fosse feito para estudar a bioluminescência.
Campbell, da Universidade de Cardiff, no País de Gales, realizou uma pesquisa pioneira durante os anos 70 e 80, levando à descoberta de que criaturas vivas produzem luz usando enzimas especiais, chamadas luciferases.
Essas enzimas participam de uma reação química nas células, que são responsáveis pela emissão de luz.
"Quando eu comecei a pesquisar bioluminescência 40 anos atrás, na escola de medicina de Cardiff, muitas pessoas me olharam estranho e disseram: "Que diabos esse sujeito está fazendo ao trabalhar com animais marinhos? Ele veio de Cambridge para fazer pesquisa médica", conta Campbell.
Mercado amplo
Mas o cientista estava prestes a explicar o potencial daquele fenômeno. Tendo descoberto as enzimas envolvidas na bioluminescência, ele percebeu que combinando luciferases com outras moléculas, era possível aproveitar a emissão de luz para mensurar processos biológicos.
Isso pavimentaria o caminho para uma revolução na pesquisa médica e no diagnóstico clínico.
Campbell identificou, por exemplo, que, ao unir a enzima da luminescência a um anticorpo - ou seja, a molécula produzida pelo sistema imunológico humano para autoproteção -, podia diagnosticar uma doença.
Isso permitiu aos médicos dispensar os marcadores radioativos que até então eram usados nesses testes.
"Esse mercado é agora avaliado em 20 bilhões de libras (R$ 65 bilhões). Qualquer um que vá a um hospital e se submeta a um exame de sangue que meça proteínas virais, proteínas do câncer, hormônios, vitaminas, proteínas de bactérias, drogas, com certeza, estará usando essa técnica", afirmou Campbell à BBC.
"Um departamento universitário que não recorra a tais técnicas, não pode ser considerado atualmente de ponta."
Problemas de contaminação
Outras aplicações do processo ainda estão sendo pesquisadas. Na Universidade de Lausanne, na Suíça, o professor Jan Van der Meer desenvolveu um teste para detectar a presença de arsênio na água potável, usando para isso uma bactéria geneticamente modificada.
A contaminação por arsênio nos lençóis freáticos é um problema grave em algumas partes do mundo, especialmente em Bangladesh, na Índia, no Laos e no Vietnã.
Os micróbios de Van der Meer foram concebidos para emitir luz quando tivessem contato com componentes em que o arsênio estivesse presente.
O experimento consistiu em injetar água potencialmente contaminada em frascos, ativando a bactéria geneticamente modificada dormente.
O ponto em que as bactérias emitem luz foi então medido para determinar uma indicação das concentrações da substância mortal na água.
O trabalho de Van der Meer está sendo agora comercializado pela empresa alemã Arsoluz. Segundo ele, os kits baseados na bactéria podem ser usados para amostras múltiplas, requerem menos materiais do que outros kits tradicionais e são mais fáceis de preparar.
Mas obstáculos regulatórios ainda impedem o uso desse tipo de exame nesses países. Diz Van der Meer: "No fim das contas, trata-se de razões mercadológicas (...) coisas que vão além do seu trabalho como cientista."
As chamadas proteínas arco-íris (um subproduto do trabalho com a bioluminescência), que mudam de cor em resposta a componentes específicos, também são uma opção para detectar toxinas, ou potentes agentes de terrorismo, como o antraz.
Aplicações práticas
Há inúmeras aplicações para a bioluminescência: uma companhia americana recorreu ao processo para produzir bebidas que brilham para venda em casas noturnas.
Outros pesquisadores chegaram até a modificar as plantas para que possam emitir luz. Assim, elas podem indicam quando precisam de água ou nutrientes, um sinal de doença ou uma infestação.
No entanto, a controvérsia em torno dos alimentos transgênicos até agora fez com que essas ideias não alçassem voos mais altos.
Há alguns anos, uma equipe de estudantes de graduação da Universidade de Cambridge pesquisou a ideia das árvores luminescentes que atuam como "luminárias" naturais.
Esforços anteriores de criar em laboratório plantas que emitem luz se concentraram em usar o gene luciferase derivado de vaga-lumes.
Mas essas plantas só podiam produzir luz quando alimentadas com uma substância química cara chamada luciferina.
O método usado pela equipe de Cambridge, entretanto, baseou-se em agrupamentos de bactérias que produzem seus próprios compostos de bioluminescência e que, por isso, é mais barato, porque permite às plantas se alimentarem de nutrientes normais.
Plantas e árvores
Em 2010, uma outra equipe de pesquisadores publicou um estudo em que dizem ter demonstrado que tais métodos podem ser usados para criar plantas que emitem luz sem a necessidade de suplementos químicos.
O grupo, formado por cientistas israelenses e americanos, inseriu genes emissores de luz de uma bactéria nos cloroplastos das plantas - as estruturas em suas células responsáveis pela conversão da energia solar em luz.
Sanderson, que agora trabalha no Instituto Sanger, perto de Cambridge, disse que o experimento foi uma escolha acertada, pois os cloroplastos são essencialmente bactérias que foram incorporadas às células das plantas e, portanto, podem ser facilmente ativar o gene da bioluminescência sem a necessidade de outras alterações.
Mas os pesquisadores precisarão ainda encontrar formas de aumentar a emissão de luz de tais organismos de laboratório para que árvores geneticamente modificadas possam iluminar aglomerações urbanas.
Campbell diz que o potencial das proteínas luminescentes na descoberta de novas drogas e na pesquisa médica ainda não foi totalmente aproveitado e, por isso, ele está atualmente colaborando com um projeto para usar a substância luciferase na investigação sobre a doença de Alzheimer.
As criaturas bioluminescentes também podem fornecer meios para estudar as mudanças climáticas nos oceanos. Alguns animais obtêm os compostos químicos responsáveis pela emissão de luz de outros organismos dos quais eles se alimentam.
Assim, o estudo das interações entre essas espécies podem ajudar os cientistas a detectar alterações nas faunas marinhas.
Apesar do impacto no diagnóstico clínico e na pesquisa, Campbell desta que ele só recebeu uma única doação financeira por sua pesquisa sobre a bioluminescência.
"No entanto, trata-se de um tema que já permitiu grandes descobertas na biologia e na medicina, além de ter criado um mercado de bilhões de dólares." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Energia hidrelétrica: sustentável pra quem?
por: Rodrigo Leite Arrieira

Usina hidrelétrica
A maior parte da energia elétrica produzida no Brasil é obtida por meio da energia hidrelétrica, correspondendo a 71% da capacidade do país, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Entretanto, apesar de ser uma fonte renovável de energia, ou seja, não passa por transformação após sua utilização, esse tipo de energia não é sustentável. Isso porque as usinas hidrelétricas impactam o ecossistema, prejudicando e alterando a composição e abundância das espécies. Esses ambientes, ainda, ficam mais vulneráveis a espécies invasoras que podem causar a extinção das espécies nativas. Além disso, a instalação dessas usinas também causa impactos sociais, afetando, principalmente, as comunidades ribeirinhas e pescadores que dependem do rio para o seu sustento e sobrevivência.
Por outro lado, há indícios que a geração de energia sustentável, tais como eólica e solar, que geram muito menos impactos e emissão de carbono, aumentem nos próximos anos impulsionados pelo avanço de novas tecnologias e redução de custos na sua produção. Os investimentos nesse setor crescem gradualmente e somaram um aumento de 539% entre os anos de 2005 a 2011, de acordo com o relatório Tecnologia e Inovação - Potencialização do Desenvolvimento com Energias Renováveis da Organização das Nações Unidas.
Apesar das tendências de crescimento e investimentos em energias limpas, ainda é necessário um maior incentivo para reduzir a carência de produção de energia limpa e um melhor aproveitamento energético no país, uma vez que possui um grande potencial para utilização de energias sustentáveis.
Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO - Cursos Online : Mais de 1000 cursos online com certificado
http://www.portaleducacao.com.br/biologia/artigos/47020/energia-hidreletrica-sustentavel-pra-quem#ixzz2TTc0uyZs
Artigo: O VALOR DE UMA ÁRVORE

Por Aline Moura - Bióloga/ Especialista em Ciências Ambientais
Certa
ocasião, um senhor chegou a um órgão ambiental deste município
requisitando o corte de uma árvore e o motivo declarado chamou atenção
pela sua estranheza.
O
sujeito começou sua narrativa se queixando de uma árvore localizada em
frente ao seu imóvel. Dizia o reclamante que caia muitas flores da
árvore na época da floração. “ Lá pro final de junho” esbravejava o
homem. “E como viajo muito neste período, não tenho tempo de varrer a
calçada que fica então toda coberta por flores ”. Neste momento achei
que o homem reclamava da” sujeira” que a árvore fazia.Foi então que
finalizou ainda mais alterado: “Os ladrões ao observarem as flores
acumuladas no chão, vão perceber que não estou em casa e vão roubar o
que eu tenho.”
Boa
desculpa para se cortar uma árvore, não acham? E eta ladrão esperto
este, hein? Mais tarde fui saber que a árvore “chama ladrão” era um
vistoso e imponente Ipê Rosa.
Parece
piada, mas é a pura rotina dos órgãos encarregados de analisar os
pedidos de corte de árvores: pouca gente interessada em plantar e muitas
interessadas em cortar. E os motivos na maioria das vezes são
injustificáveis, salvo os casos de interferência das raízes com as redes
de água e esgoto e outros poucos motivos que justifiquem realmente o
corte de uma árvore da arborização pública.
As
árvores muitas vezes acabam por levar a culpa pela falta de segurança,
como se sempre fossem elas a causa do problema instalado. Vejam só esta
outra situação que ilustra bem a questão: a solicitação agora é para o
corte de uma Sibipiruna - árvore nativa de porte grande muito utilizada
na arborização das ruas – a justificativa segundo a solicitante é que a
árvore poderia ser utilizada por meliantes para adentrar em seu
imóvel.Pois bem, no ato da vistoria, a surpresa: o muro do imóvel não
tinha mais que um metro e meio e a culpa pela possível invasão claro,
era da árvore.
Mas
a justificativa campeã em solicitações de corte é a “sujeira“ das
folhas nos passeios, que obrigam os moradores a varrerem suas calçadas.
Contudo tal justificativa na maioria das vezes vem camuflada atrás de
outros motivos não mais “nobres” do que este.
O certo é que, não importa o motivo, estamos perdendo nossas árvores.
O
diagnóstico sobre a arborização do centro da cidade realizado em 2010,
apontou um número de árvores bem menor do que o recomendado para
centros urbanos de uma cidade do porte de Itaúna e que vem
aceleradamente aumentando sua frota de veículos.
Das
486 árvores catalogadas, 207 ou estavam plantadas em locais
inadequados, como é o caso dos Ficus e das Castanheiras, utilizadas por
décadas na arborização do município e que possuem sistema radicular
agressivo e por isto necessitam de grandes espaços ou encontravam-se
debilitadas e no final da vida útil.
O
centro da cidade é um local de grande circulação de veículos, emitindo
gás carbônico e outros poluentes igualmente ou ainda mais tóxicos,
portanto deveria ser a área mais arborizada da cidade. Mas infelizmente
não é o que ocorre. A situação é a seguinte: os comerciantes não querem
árvores porque “atrapalham” as fachadas de suas lojas e os moradores
porque não têm tempo de limpar as calçadas.
Árvores,
caro leitor, são grandes prestadoras de serviços ambientais
fundamentais e sendo muito simplista, elas fornecem além da sombra, o
oxigênio que respiramos, absorvem grande parte dos poluentes lançados
na atmosfera, retêm parte da água pluvial, evitando as grandes
enxurradas e de quebra ainda funcionam como grandes umidificadores,
garantindo um ar menos quente e mais úmido. Tudo isto a um custo muito
baixo comparado aos benefícios gerados. Mas o que me parece é que todos
querem usufruir destes serviços sem pagar a conta, que, aliás, é
irrisória. Ora, quem não quer uma sombra para se esconder num dia quente
ou estacionar o carro debaixo de uma grande copa, contanto é claro que a
árvore esteja plantada no passeio do vizinho.
Árvore
certa plantada no local certo só traz benefícios. Pesquisas
desenvolvidas em países onde a arborização é tratada devidamente,
apontam que cada unidade monetária (o real, por exemplo), aplicada na
implantação e manutenção das árvores urbanas, o retorno financeiro pode
chegar a 4 unidades monetárias, retornados em saúde e bem estar para a
população.Em cidades bem arborizadas gasta-se menos com internações em
consequência de problemas respiratórios, o nível de estresse também
pode diminuir e até os índices de violência tendem a cair, uma vez que
locais bem arborizados inibem a ação de vândalos.Investir na arborização
das cidades, portanto também é um bom negócio para os municípios,uma
vez que economiza recursos dos cofres públicos. Infelizmente talvez
seja a única maneira de convencer os governantes de que plantar é
preciso.
Mas
atenção, se for plantar, escolha bem a espécie e o local do plantio,
com certeza os benefícios se estenderão bem além da sombra na porta de
sua casa. Mas se for cortar, analise bem a necessidade do corte para não
incorrer nos mesmos erros dos “ artistas” deste artigo.
EUCALIPTOS: VILÕES OU HERÓIS?

Por Aline Moura - Bióloga/ especialista em Ciências Ambientais
O
título pode até parecer uma afronta frente à invasão destas espécies em
nossas terras. É fato que as plantações de eucalipto vêm substituindo
gradativamente as florestas nativas em todo país e não é diferente em
nossa região, basta observar a paisagem durante uma viagem qualquer. Os
pés parecem que brotam de um dia pro outro, num dia um cerrado denso, no
outro os verdinhos compridos tomando conta do espaço. E isto é um ponto
negativo, se olharmos pelo prisma da biodiversidade. As florestas
nativas precisam ser preservadas, não resta dúvida.
O
fato é que, seja pela substituição de florestas, ou seja por outros
motivos um tanto quanto polêmicos, como por exemplo, a tão condenada
propriedade de absorção de água, o eucalipto tem sido visto como um
vilão malvado e perverso, comparando inclusive sua “malignidade” ao
avanço da pecuária sobre matas nativas, ao impacto ambiental de áreas
degradadas, até a destruição da camada de ozônio e outros agentes de
destruição que tanto ouvimos falar.
O
certo é que a espécie, que por incrível que pareça também é um vegetal,
presta serviços ambientais importantes como qualquer outro exemplar de
árvore, como a absorção de gás carbônico e a liberação de oxigênio, mas
penso que os críticos mais esquentados se esquecem disto e preferem
condenar o eucalipto com a pena mais alta – a de morte.
Além
dos serviços básicos, tal árvore vem substituindo e muito a derrubada
de árvores nativas como Ipês, Aroeiras e outras tantas nativas
utilizadas indiscriminadamente há séculos para confecção de móveis,
cercas e até para seu emprego em colunas das casas mais antigas, tanto
que hoje, algumas dessas espécies constam em lista vermelha de
extinção , portanto são protegidas por lei.
O
eucalipto prestou-se para por fim na derrubada de árvores para produção
de celulose, confecção de caixas, pallets, mourões e até móveis, sem
falar na sua utilização como combustível para alimentação de fornos e
caldeiras. Quantas árvores nativas já não serviram para estes fins?
Elevá-los
a status de herói é vedar os olhos para o desmatamento de matas
nativas, refúgio de espécies que ainda nem foram descobertas,
substituindo o colorido heterogêneo das folhas, flores e troncos do
nosso cerrado ou mata semi - decidual pelo colorido heterogêneo das
notas de reais, fruto da venda dos eucaliptos.
Em contrapartida condená-los como vilões é desmerecer seus atributos e um equívoco retrógrado na época em que vivemos.
Encontrar
um meio termo pode ser a solução mais viável para os conflitos travados
entre a preservação e o desenvolvimento. Manter as florestas em pé
convivendo com os eucaliptos parece ser razoável, exigindo moderação
entre as partes: sensibilidade para aqueles que querem cultivar a
espécie, para que utilizem o solo com sabedoria e tolerância para os que
jogam as pedras.
ARTIGO: Meio ambiente, a nova forma de fazer política

Por LUIS CARRASCO , MATEUS DOS SANTOS - O Estado de S.Paulo
Quando
ainda estava na faculdade, Alexandre Braz, de 23 anos, fundou com
colegas o Instituto Muda. Em quatro anos, eles montaram um sistema de
coleta seletiva em 35 condomínios de São Paulo e reaproveitaram mais de
170 toneladas de lixo. "Hoje, são 14 pessoas trabalhando na coleta e
triagem. Nós atuamos onde o governo não atua." O engajamento em questões
ecológicas, a exemplo de Alexandre, é considerado uma das novas formas
de fazer política.
É
o que dizem especialistas como Marcos Sorrentino, ex-diretor de
Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente. "Enquanto todos falam
que é preciso reduzir a emissão de poluentes e o consumo, o governo
discute leis para diminuir áreas de preservação. Isso só faz o ceticismo
dos jovens crescer, pois eles não se sentem representados
politicamente." E é o que mostra a enquete E você, pelo que se
mobiliza?, promovida pelo Estado em sua página no Facebook. A opção
"meio ambiente" foi a mais votada, com 31% dos cliques.
"Pela
via do meio ambiente, ele pode se satisfazer na atuação política",
confirma a pedagoga Leila Chalub, coordenadora do Observatório da
Juventude da UnB. Essa é também uma maneira de se desprender dos modelos
convencionais da sociedade, acredita o educador ambiental Renato
Tagnin. "Os mais velhos não enxergam a crise em que estamos. A política
não dá conta das demandas da população e a economia a agrava ainda
mais." Segundo ele, a situação só vai mudar com mobilização coletiva.
O
consultor de empresas João Paulo Amaral, de 25 anos, faz sua parte. Em
dezembro passado, criou o Bike Anjo, projeto com voluntários - 200 só em
São Paulo - que traçam rotas e acompanham quem deseja enfrentar o
trânsito pedalando. No Brasil, outras 27 cidades aderiram à iniciativa
que, junto com a de Alexandre, representou o País no Programa Jovens
Embaixadores Ambientais, em parceria entre uma farmacêutica e o Programa
da ONU para o Meio Ambiente.
João Paulo diz que a vontade de ajudar a natureza surgiu no colégio. Para o biólogo
Gustavo Borges, está aí outra explicação para a onda verde. Desde 1999,
a Política Nacional de Educação Ambiental prevê a abordagem
multidisciplinar de questões ecológicas nas escolas. "Antes, só havia
programas de política conservativa, do tipo 'salve o mico-leão-dourado'.
Hoje, existe uma consciência socioambiental e as pessoas já sabem que
meio ambiente é o bairro onde elas vivem e trabalham."
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